quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Grande Lição do Grande Irmão.

 
E foi dada a largada, em janeiro de 2010 para a mais louca o turbulenta guerra por dinheiro da TV brasileira: o Big Brother Brasil que comemora sua décima edição trazendo um dos mais diversos times para compor esta verdadeira corrida maluca pelo prêmio de 1,5 milhão de reais. Esta de fato, pode-se considerar uma das edições com maior diversidade entre seus participantas. Ficou bastante evidente que a produção não queria mais apostar naquele velho cast de sarados e saradas que dalí despontavam todos para Playboy's e G Magazine's da vida. Uma lésbica, um gay afeminado, um transformista, um negro, uma dentista, uma professora universitária, uma dançarina de boate, um modelo aparentemente indeciso com sua sexualidade, um lutador machista entre outros fazem parte do time que apimenta cada dia mais as noites brasileiras e nos fazem nos apaixonar por uns e odiar outros. Para muitos estudiosos o BBB trata-se do maior lixo da TV Brasileira. Discordo em número, gênero, grau, em letras garrafais e fluorescentes. O BBB na realidade trata-se nada mais que a realidade do brasileiro. Se alguns pensam que o BBB existe apenas por trás das paredes do projac, este alguém está profundamente enganado. As mesmas atitudes vistas no BBB são as que nos passam na vida profissional, familiar e também nos nossos mais íntimos relacionamentos. Até mesmo os conflitos internos vividos pelos participante, apontados como sendo loucos que surtaram após dias e mais dias de confinamento e pasmem, a bipolaridade mostrada por eles também é a mesma que desempenhamos no nosso dia-dia. 
O BBB trata-se nada mais do retrato do brasileiro, mostra com frieza tudo que o ser humano é capaz por dinheiro: mentir, chorar, representar, julgar! Retrato este que é cópia fiel do mundo das organizações, do nosso ambiente de trabalho. Quem nunca lidou com um colega de trabalho mentiroso que fazia de tudo para lhe derrubar e aparecer a todo custo? Ou melhor, quem nunca teve que representar um papel para conseguir um emprego para ter o que comer e de onde tirar dinheiro para pagar as suas contas mensais? Pasmem, todos nós somos BBB's, vivemos no BBB da vida real, onde só seremos ex-BBB's no dia da nossa morte. Somos constantemente analisados e julgados por nossos gestos e atitudes pelo nosso vizinho, amigo, pai, mãe, chefe e se bobearmos somos postos no paredão e corremos grave risco da eliminação não de um jogo, mas de um grupo extremamente especial para nós. E que eliminação dolorosa. Quem nunca foi posto num paredão num relacionamento onde foi escolhido entre outro e foi trocado, ocasionando sua eliminação?
É, o paredão também existe na vida real, também corremos riscos diariamente de sermos eliminados, julgados, apontados e humilhados. Nós nascemos, estamos aqui pra isto, pra dar a cara a tapa e seguir em frente, sobrevivendo e nos reerguendo eliminação após eliminação, julgamento após julgamento. E talvez seja este o motivo pelo qual em sua décima edição o BBB faça dez vezes mais sucesso que sua primeira edição, em 2002. O público gosta de se sentir Deus, em ter o poder de decidir quem ele quer que continue convivendo, vivendo e se deliciando e de quem ele quer ver pelas costas. O BBB não trata-se de mais um besteirol da televisão brasileira, e sim de um programa de conteúdo adulto que pode ser explorado de forma sábia, perfeito para um estudante de psicologia estudar e tentar entender o labirinto que é o comportamento humano. Excelente para um sociólogo decifrar o que dificulta tanto o mistério da convivência. Formidável para um filósofo para que ele possa viajar e questionar cada frase disparada por cada participante dentro dos dias de confinamento. 
O BBB é um programa que transcede a TV, existe na vida real e nós somos participantes. A casa não tem tanto luxo assim, é nosso planeta terra. Quem nos julga somos nós mesmos. Quem nos elimina ou não, pasmem: também somos nós mesmos! E o vencedor do programa de TV, como já apontado pelo apresentador Pedro Bial é o mais flexível, aquele que mais é capaz de se adaptar as diversas situações que lhe são impostas. E na vida real, seria diferente? Quem vence não é o mais belo, o mais forte, o mais experto, nem o mais inteligente e sim o mais flaxível a tantas mudanças que vivemos, e a partir dai cabe a nós entender e aprender a grande lição do nosso grande irmão.


P. Victor de Andrade, em 11/02/2010.

2 comentários:

  1. Caramba! Você ganhou quanto para defender o programa?
    Foi depois do vídeo no Caldeirão do Hulk, né?! [XD]

    Estou zuando. Adorei seu texto, Vic.
    Muito bom mesmo. Você está de parabéns.
    De todas as postagens no blog esse texto é o melhor.
    Creio até que você deveria inscrever em algum tipo de concurso,
    pois com certeza seria primeiro lugar garantido.

    Eu não sou muito de assistir BBB, porém confesso que essa edição está muito bem feita. Tem vários participantes de personalidade forte. Acompanho sempre que posso, pois cansei de ficar por fora de um assunto tão comentado por todos. [XD]

    Parabéns mais um vez pelo texto muito bem formulado.

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  2. Realidade???
    Desculpa, mas eu não vivo em uma jaula de luxo, comendo e bebendo do bom, sem saber dos acontecimentos do mundo...

    Ilusão é acreditar q se pode ficar milhonário sem fazer nada na vida, sem estudar nem trabalhar.

    "heróis"???
    Em nada eles contribuem para a cultura brasileira, em nada eles contribuem para a educação nacional.
    Eles salvam quem, para ser chamados de hérois???
    Eles não melhoram nossa segurança nem os hospitais publicos.

    E sim, o homem é capaz de tudo por dinheiro, mas pra saber disso basta estudar um pouco de historia do Brasil e das grandes guerras que o mundo sofre, que você saca isso.

    Não somente o Brasil, mas o mundo precisam de medidas pra torná-lo melhor e não de um programa de TV que incentive pessoas a se 'matarem' por PODER.

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